domingo, 22 de novembro de 2009


Quando o meu caminho encontrar o seu caminho, caminharemos juntos.
Quando o meu caminho se perder do seu caminho, estaremos novamente sozinhos um do outro.
Quando o meu caminho e o seu caminho são dois, estaremos ainda juntos?
Estaremos sozinhos? Estaremos faltando um pedaço?
Quando caminhamos juntos, parece que há mais força e mais coragem.
Quando os caminhos se perdem, tudo soa mais frágil e lento.
Existe caminho melhor ou pior?
São sombras as dúvidas que se engalfinham com o prazer e a esperança.
Nuvens que desfazem o sonho, feito sopro de vela.
Meu barco e o seu?
Seu caminho ou o meu?
Haverá dois?
Será tudo uma coisa só com nomes diferentes?
Não sei.
Não acho respostas.
Vejo as sombras que cobrem o dia claro. E elas são nuvens.
Elas passarão pelas minhas asas frescas e poderão mesmo me ameaçar, mas alçarei vôo ainda que lute solitária contra o vento.
Vai chover?
Sinto dia nublado no peito.
Incógnito
É quase como sentir tristeza, mas não há dor.
Um fio de água escorrendo rio abaixo e sem pressa.
Eis o barulho da água seguindo o curso.
O seu caminho. Nem meu, nem seu.
Apenas um caminho necessário para saciar a sede.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009



"Quando você acha que encontrou todas as respostas, a vida vem e te faz novas perguntas."

Quando a gente acha que superou todos os medos, a vida traz novas surpresas.

Quando você sente que o território já está garantido, a vida puxa o seu tapete.

De repente, você está nu: com novas perguntas, muitas surpresas e sem porto seguro.

O que parece desesperador, na verdade é apenas um sinal amoroso.

Da vida, que jamais desiste da gente. Que sempre acredita que há mais amanhãs e horizontes.

Para quem a trégua é só um copo d´água, fôlego e estrada nova.

Agradeço porque a vida apostou em mim. E eu aceitei.

É bom me ver amanhecendo, espreguiçando junto com o sol o sono e a sombra.

Caminhar como quem voa: com ar e esperança. Rindo à toa, feito as nuvens bobas. Todos somos nuvens; ricos em forma, mas sempre tão passageiros que nada há para agarrar.

Vida onde tudo é sopro...

A ti eu ergo um brinde: que o breve e o eterno continuem esse caminho que nos recorta, ensina e guia.

Nada a perder, tudo a aprender.

Esta é a minha vida.

domingo, 25 de outubro de 2009


Hoje escutei o canto dos pássaros e ele era diferente.
Conversei com a lavanda que cresce no quintal e ela cheirava um novo cheiro.
O pão com manteiga que eu comi tinha um outro gosto.
No banho de ervas, o verde da vida inteira estava presente.
Uma vela iluminava meu coração à tardinha e a lua era outra.
Ouvi a melodia suave no radio e a música era nova para mim.
Quando tudo o que é comum vira novidade, é porque uma nova vontade foi instalada e a vida, remoçada,
agradece com novos óculos de ver.

:-)

domingo, 18 de outubro de 2009

dias novos
de emoções sortidas
com tantas pessoas e matizes.

dias cheios
tanto por fazer
e falta tempo

dias confusos
de sol e chuva,
mentiras e descobertas,
vaias e aplausos.

dias curtos,
dias intermináveis,
dias inesquecíveis.

dias de sonho e desejo
dias que viram noite
e ardem

dia de conversa séria
outros de conversa fiada.
dias de não dizer palavra.

Dias: nossas pequenas fronteiras cotidianas.

Carregue a mochila de sonhos novos, cores na paleta, braços firmes,
olhos vivos e um coração no meio de tudo isso.
Nossas pequenas fronteiras nos lembram que a vida prossegue.
Você, também: prossiga. Caminhe ainda que falte o ar ou a fé.
Siga. Os trilhos da coragem são mesmo dificeis, árduos, mas essenciais.

Beba um pouco de água na próxima curva, mas não pare.
Suba, erga-se sobre a estrada, como um gigante, como o tamanho do sonho que te desperta.
Como o hálito da madrugada que se derrama sobre o horizonte.
Derrame, assim, você também as tuas poucas palavras, o teu traço, o teu passo.
Sua pequena verdade.
A única que pode ser só tua.
E reconstrua tudo se for preciso.
Comece do fim ou do zero. Mas, vá.
Fronteira após fronteira, costurando o sentido da tua busca, achando e perdendo respostas.
Dia após dia.





sábado, 3 de outubro de 2009



Quando as fichas caem

a ligação fica mais clara entre ontem e agora;
o coração fica mais leve;
dói pra caramba porque...putz, dói;
é melhor para todo mundo;
a gente respira fuuuuuundo;
ou pira mesmo;
a gente acha um baú de respostas que estava enterrado dentro do espírito;
tudo é claridade;
o que foi e o que é fazem as pazes;
o tempo ganha um outro significado;
a gente aprende a agradecer;
dá para sacar que a vida é tão maior do que esse bocadinho que percebemos dela;
o horizonte é imenso e a compreensão alarga...
as pessoas que você conhece começam a fazer mais sentido;
aqueles que você deixou de conhecer também;
a ponte entre você e eu diminui;
o espaço entre a voz e o silêncio é muito maior;
faz bem pra alma.

Bom mesmo é que a gente só entende que uma ficha caiu porque a gente cresceu.

domingo, 20 de setembro de 2009

É primaveeeera...
Sim: está chegando! Terça, 18h36 mais especificamente.
Sol em libra, renascimento da vida, do calor, da esperança.
Eu adoro a primavera.
Talvez porque os ipês e as cerejeiras fiquem ainda mais viçosos.
Talvez porque o dia ganhe mais graça.
Talvez porque eu amanheça mais feliz.
Talvez porque tudo isso represente o re-encontro: do eu com o nós.
Largar mão da órbita frouxa dos umbigos e viajar para a imensidão: aquela onde encontro o semelhante, seu mundo único, sua ótica. Fim dos muros de frio, vezes necessários.

Toda delícia de sentir uma aura totalmente nova ir tomando a gente de mansinho, gota a gota, sem se fazer notar e
de repente já transbordamos, bêbados da brisa fresca, tonta e leve que nos envolve.
Me lembra de ter paciência e calma (meus artigos mais raros). E me diz que há espaço para todas as coisas vastas. Todas as coisas.
Aponta o outro lado do rio, a outra página do livro, a ponte que liga um ponto ao outro.
Abundância de primavera: sentir na alma; responder na pele, trocar as roupas, visitar novos céus, escutar outros horizontes e o coração transbordar a imensidão da música: 9ª sinfonia de Beethoven .

Abençoada seja a tua chegada em mim.

Impossível não cantar esta:
"É primaveeeeeeeeeera, te amo
É primaveeeeeeeeeera, te amo, meu amor.
Trago essa rosa..."
:0)



sábado, 29 de agosto de 2009

Ando meio desligada

Nessa última semana levei um susto. Ia para o trabalho, desci um ponto antes para tomar café na padoca legal da esquina. Desci do ônibus, parei no farol (estava vermelho), ele abriu e eu avancei na frente dos carros. No meio do caminho, eu me dei conta da loucura e já era tarde, corri feito louca para o outro lado da avenida ouvindo buzinadas desaforadamente merecidas.
Chegue do outro lado lívida: hã? Que foi isso? Mãos trêmulas, coração acelerado.
Final do dia fiz a mesma coisa de novo.
Engraçado porque sou até meio medrosa para atravessar ruas em São Paulo. Tanta gente lelé da cuca...
Enfim: dois sustos no mesmo dia querem me dizer alguma coisa que agora me escapa.
Só ficou uma certeza: ou vaso ruim não quebra mesmo e eu sou um da porcelana mais chinfrim; ou meu anjo da guarda não faz nem hora de almoço pra tomar conta de mim.